22/08/2015

Resenha | Belo Desastre (Jamie McGuire)

ISBN-10: 8576861917
Ano: 2012 / Páginas: 392
Idioma: português
Editora: Verus
(Informações retiradas do Skoob)

Sinopse:Abby Aberathy é a típica garota “certinha”. Não bebe nem fala palavrão. Quando se muda para uma nova cidade, para cursar a faculdade, junto da sua melhor amiga America, ela acredita que está deixando seu passado sombrio para trás.
Mas, quando Abby conhece o bad boy da universidade, Travis Maddox, seu segredo é ameaçado. Travis, cheio de tatuagens e com abdômen definido, é o que Abby gostaria de evitar na sua “nova vida”. Ele passa várias noites lutando para ganhar dinheiro, mas quando vê Abby, percebeu que seus dias de seduzir várias garotas da faculdade iriam mudar. Intrigado que Abby não mostra nenhum interesse nele, Travis aposta com ela algo: se ele perder uma luta, terá que ficar sem sexo por um mês. Se Abby perder, deve deixar seu dormitório pelo mesmo período, para morar no apartamento dele. A partir daí acompanhamos a relação dos dois diante dessa aposta.


Eu realmente achei que ia gostar desse livro. Ouvia várias opiniões sobre como o livro era maravilhoso e que Travis era um amor de pessoa. Acho que antes de ler o livro, não me deparei com nenhuma crítica negativa. Até eu ler.

Cheio de clichês, essa história é muito “fanfic”. Chamo de fanfic porque as fanfics de bad boys são exatamente assim: eles se odeiam no começo. Alguma aposta é envolvida relacionada à sexo. Por causa disso eles começam a se envolver, tem uma relação muito perturbada, mas no final eles ficam juntos.

Muitas pessoas já devem estar querendo me bater a esse ponto xD. Porém, eu continuo com a minha opinião.

O que eu vejo aqui é uma relação quase abusiva entre duas pessoas. Eles romantizam lutas e situações que não deveriam ser romantizadas. Os personagens não foram bem construídos (acho que o único personagem que realmente gostei foi da colega de quarto da Abby, a Kara, que não teve muita participação no livro, e toda vez que foi citada, parecia ser uma vadia, quando não é) e houve algumas falhas em continuação.

Travis não é de nem longe um namorado perfeito, como vi várias pessoas definindo ele. Ele literalmente faz a Abby trocar de roupa em várias ocasiões, porque ninguém mais podia olhar pra ela. Ela não tinha o direito de se sentir bem com as roupas que estava usando. Tudo tem que ser só pra ele. Nós vivemos numa sociedade em que estamos tentando combater esse tipo de comportamento, que o homem tem direito sobre a mulher. Mas histórias continuam romantizando isso. Histórias como essa.

Travis também tem problemas com a raiva. Ele bate em pessoas que sequer olham pra Abby com interesse. Ele destrói seu apartamento inteiro só porque não a achou do seu lado na cama quando acordou. Ele destrói seu celular porque esse é o único jeito dele não ligar pra Abby. E nenhum personagem vê isso como um problema, até acha fofo e culpa a Abby por tais ações. Ninguém se preocupa em procurar ajuda profissional para ele.

Abby também tem problemas. Toma decisões compulsivas. Não achei tantos defeitos nela quanto no Travis, mas também não apreciei esse personagem.

Depois de ler tantos aspectos negativos, vocês devem ou estar me xingando ou pensando “é só um livro”. Mas não é só um livro. Um livro tem o poder grande de influenciar opiniões. E se esse livro diz que tudo bem tatuar o apelido da sua namorada, que vem de uma relação instável, as pessoas vão achar que tudo bem fazerem o mesmo (inclusive, na versão em inglês, fui conferir o apelido de Abby. Aqui é um apelido bonitinho: Beija-flor. Mas na versão original, Travis chama Abby de “Pigeon”, que na tradução literal significa “Pomba”. Desculpe-me, mas cortava relações com quem me chamasse de Pomba). Se o livro diz que é comum fugir pra Vegas e se casar tão jovem, ainda mais num relacionamento instável, as pessoas vão achar certo fazer isso. Livros podem ser só livros pra algumas pessoas, mas para outras, eles ditam o que é certo e errado.

Num momento como esse, onde o feminismo está sendo levado a sério (não sou feminista, mas apoio algumas causas), por que romantizar algo que vai totalmente contra a isso? As mulheres tem o direito de se vestirem como quiserem, para quem elas quiserem. Elas tem o direito de destacar coisas importantes num relacionamento se não faz bem a elas (Abby muitas vezes estava perto de enlouquecer por causa de Travis). Mas também elas não tem direito de manipular os homens (como Abby fez ao dormir com Travis pela primeira vez e o deixando de manhã, falando pra ela mesma que isso iria resolver as coisas porque Travis finalmente tinha conseguido “o que queria”, quando está claro que ele não queria só sexo).
Enfim, muitas coisas estão erradas sobre esse livro, e eu com certeza não lerei a continuação dele (apesar de tê-las na minha estante, já que minha irmã está lendo a série, e infelizmente não está compartilhando a mesma opinião que eu).

Não recomendo o livro pra ninguém, mas cabe a cada um decidir o que ler ou não.
PS: minha resenha foi baseada em minhas próprias opiniões, mas também nessa resenha (em inglês) de uma pessoa no Goodreads, que apontou vários pontos importantes que eu concordo.

Nota:


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